A participação estrangeira no SFN

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Com informações do Banco Central, Santander, Exame. Por Pedro Guedes.

4/17/20262 min read

O Sistema Financeiro Nacional é composto por considerável quantidade de instituições, onde o público enxerga principalmente os Bancos, em suas diferentes variações. Em seguida, temos instituições mais especializadas e segmentadas, como Instituições de Pagamento. Mesmo uma leitura mais atenta, pode deixar passar batido o fato que a presença de instituições estrangeiras é uma realidade no mercado brasileiro. Essa presença não é vista pela população em geral, por dois motivos.

O primeiro, é a saída acentuada de instituições financeiras estrangeiras do varejo, ocorrida durante a década de 2010, onde o HSBC é o principal, mas não o único caso. Ao vender sua carteira de varejo para o Bradesco, abriu mão de um dos maiores market shares do varejo brasileiro, quando da venda de sua carteira, em 2015. Além do banco inglês, outras operações estrangeiras, como o Citibank, o Société Générale, o Bank of America, o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), o Intesa Sanpaolo e o Crédit Lyonnais, saíram do varejo brasileiro na década de 2010, focando em nichos específicos de mercado ou encerrando as operações. O cenário macroeconômico da época, marcada por recessão, e o peso dos bancos incumbentes, expeliu a maior parte desses participantes do mercado brasileiro.

Curiosamente, a retomada econômica dos últimos anos, e a melhoria das condições concorrenciais, não significaram a chegada de novos participantes no mercado. Isso ocorreu por uma série de motivos. O primeiro é a abordagem indireta das instituições estrangeiras. Ao invés de entrar diretamente, a compra de participação societária em fintechs e instituições menores, permite à esses players institucionais mais robustos, uma exposição menos custosa ao varejo brasileiro.

Como principal exemplo desse posicionamento, temos o J.P Morgan, que possui sociedade com os controladores do C6 Bank. Outro motivo, é o fato que o ambiente de negócios, focado em wealth management, crédito para PJs, suporte em M&A (fusões e aquisições) se mostrou sólido, com instituições estrangeiras chegando ou se mantendo no país para focar nestas atividades, que são mais rentáveis e menos voláteis que o varejo bancário.

Neste ramo temos as operações do Bank of America, UBS, BNY (Bank of New York Mellon), Deutsche Bank, entre outros, que limitaram sua presença ao eixo RJ/SP, para melhor atender sua carteira corporativa. Mesmo que a licença bancária seja a mais comum, não é a única forma de operar no mercado brasileiro. Das 173 instituições estrangeiras parte do SFN, apenas 57 eram bancos múltiplos. Hoje, no varejo, temos como player relevante o Santander, filial do homólogo espanhol, que mantém participação de cerca de 10% no mercado, em depósitos bancários. Mesmo que longe dos holofotes e da memória coletiva, os bancos estrangeiros são parte importante do SFN.